sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Capítulo 176
E assim se passou a semana, nada dos médicos acordarem Juliana, do coma induzido. Eu e os pais dela, ficávamos o dia todo no hospital, cancelei até alguns compromissos.
- E ai, boi? – Estava no meu quarto, vestindo minha calça depois que tomei um banho, para poder voltar para o hospital.
- Fala, testa.
- Já vai voltar, para o hospital?
- Vou, não quero perder nenhuma notícia. Não é possível, que não vão acordá-la essa semana.
- Você está se dedicando mesmo, até compromisso desmarcou. Ainda à ama, não é?
- Nunca neguei isso a ninguém.
- E por falar em compromisso, amanhã vamos viajar.
- O que?
- Temos show, Luan.
- Mas eu não vou fazer nada, enquanto ela não acordar.
- Por favor, ela ficaria triste por isso, pensa nos seus fãs. – Olhei para baixo e pensei um pouco.
- Tudo bem. – Suspirei.
- Ótimo! – Ele ia saindo. – Ah! Você está namorando?
- Hã? Eu namorando?
- É, você.
- Claro que não.
- E a Jéssica ?
- Só estava ficando com ela, por que?
- Estava?
- É, por que?
- Pensei que estavam namorando e ela mostra isso, até de amor te chama.
- Como sabe? – Perguntei espantado.
- Ela estava me contando do dia do acidente e a todo tempo, se referia a você nesses termos.
- Eu vou ter que conversar com ela, não quero compromisso.
- Ela vai pirar, pelo que eu vejo, gosta bastante de você. – Ele saiu do quarto e eu me sentei na cama. Realmente ela ficaria abalada, então resolvi que só conversaria com ela quando a poeira abaixasse. Voltei para o hospital, para saber mais notícias de Juliana.
- E ai, alguma notícia?
- Eles vão acordar ela hoje, ainda. – A mãe dela se levantou da cadeira que estava. Um sorriso se formou em meu rosto e eu a abracei. Passamos o resto da tarde ali, torcendo para o médico chegar e dar logo uma noticia.
- Ela acabou de acordar, não está falando muito. Vai poder entrar duas pessoas por vez. – Ele se aproximou.
- Podem entrar primeiro. – Eu disse para eles, a mãe de Juliana sorriu para mim e pegou na mão do pai dela. Foram os dez minutos mais demorados da minha vida, quase sai correndo para o seu quarto, quando vi que eles já voltavam.
- Vai lá, meu filho. – Sorri para ela e fui até o quarto em passos largos, o médico me indicou a porta. Entrei devagar e vi que seus olhos rodavam pelo quarto, estava parada e só seus olhos se mexiam.
- Ju? – Falei baixo e ela virou sua cabeça, fui caminhando até ela. – Está bem? Só responde se consegui, não precisa fazer força.
- Está tudo bem, agora. – Ela falava bem baixinho, com a voz um pouco rouca.
- Que bom! Eu te vi lá e bom...Tive muito medo.
- Medo? – Ela perguntou confusa, passei as mãos pelos cabelos.
- É, de te perder! – Falei firme e ficamos nos encaramos por um tempo.
- Pensei que iria morrer.
- Não fala isso, nem de brincadeira.
- Minha mãe me disse que está aqui sempre, obrigada.
- Não tem o que agradecer, estou sempre com você. – Alisei seus rosto e entrelacei nossas mãos. Ficamos daquele jeito, até a enfermeira aparecer no quarto e falar que já estava na minha hora.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Capítulo 175
- Carro da Juliana?
- É. Eu tenho certeza, é essa placa mesmo. – Sem pensar sai andando.
- Luan! Você não pode ir até lá. – Ouvi Jéssica gritar de longe e olhei para trás, voltei a olhar para frente e a andar. Ouvia algumas pessoas do restaurante falando para Jéssica, não me deixar ir até lá. Apressei mais meus passos e quando vi, já estava correndo em direção ao pequeno tumulto que se formava ali.
- Com licença ... – Eu empurrava as pessoas, que estavam na minha frente. Arregalei meus olhos quando tive a certeza do que pensava, Juliana sangrava ainda dentro do carro, que estava virado de ponta cabeça.
- Juliana! – Me abaixei e as pessoas falavam para mim não mexer nela.
- Não mexe, cara. Pode ser pior, o Samu já está a caminho.
- Meu Deus ! – Me sentei no chão com as mãos no rosto, que já se molhavam pelas lágrimas. Ver Juliana ali, dentro daquele carro todo amassado, virado de ponta cabeça e ainda desacorda e com a cabeça sangrando, foi de acabar comigo de vez. Ouvi alguém pedindo licença atrás de mim e logo uma mão tocar meu ombro, me virei.
- Jéssica?
- Luan...Meus Deus! – Ela olhou para frente e colocou a mão na boca.
- Lu-luan? – Ouvi uma voz baixinha, olhei para frente e Juliana tinha seus olhos abertos.
- Ju! Fica calma, eu estou aqui. – Segurei em sua mão sem jeito, não sabia como tocá-la.
- Vamos embora, Luan. – Jéssica se aproximou e eu a olhei sem reação.
- Se você quiser, você vai. Vou ir para o hospital com ela. – Quase joguei a chave do carro em cima dela.
- Então eu vou, odeio ficar vendo essas coisas. – Olhei para ela com raiva e ela saiu novamente, pedindo licença a todos. A ambulância chegou e me afastaram do carro, colocaram Juliana na maca e pediam para ela ficar calma, pelo que vi, chorava. Entrei na ambulância como seu acompanhante e antes de fecharem as portas, vi um grupo de meninas correndo em nossa direção e depois perguntando o que tinha acontecido, com certeza fãs que ficaram sabendo do ocorrido. Falei para levarem Juliana para o melhor hospital de São Paulo e assim fizeram, desci com ela e os acompanhei até uma porta, que não me deixaram entrar. Uma enfermeira me levou para uma sala de espera e lá, liguei para os meus pais e os pais de Juliana que estavam ali, foi a parte mais difícil. Depois de quase meia hora, os vejo vindo em minha direção, me levantei e abracei minha mãe forte.
- O que aconteceu? – A mãe de Juliana, me perguntava nervosa.
- Ela sofreu um acidente, eu estava almoçando em um restaurante e vi. – Quase não conseguia falar.
- Meu Deus, Juliana nunca foi de andar correndo, o que será que houve. – Ela estava realmente muito nervosa. Olhei para minha mãe, que me repreendia com o olhar , parei pra pensar e cheguei a conclusão que ela poderia ter visto eu e Jéssica almoçando juntos. Olhei para baixo e fechei meus olhos, se Juliana bateu o carro por minha culpa, por te me visto com outra, nunca iria me perdoar, jamais.
- A culpa disso tudo, é sua. – Abri meus olhos, quando ouvi a voz de desprezo do pai de Juliana.
O olhei e seu olhar não era diferente, estava me sentindo culpado mesmo.
- Não fala isso, não é culpa de ninguém. – A mãe dela, mesmo chorando me defendia. Ele me encarou e eu voltei a olhar para baixo, senti os braços da minha mãe em minha volta.
- Parentes de Juliana Moraes? – A voz do médico ecoou pela sala.
- Somos nós. – Me manifestei rápido e ainda segurava as lágrimas.
- Ela teve um traumatismo craniano...
- E isso é grave?
- Não foi leve, mas também não está no grau três. Que é o mais grave.
- Então não foi muito grave?
- Vamos se dizer que não, ela não corre risco.
- Graças a Deus ! – Coloquei a mão no peito e suspirei alto.
- Mas, ela está em coma induzido.
- Hãn...Está em coma? – Voltei a me alterar.
- Calma, coma induzido é efeito de sedativos. Quando acharmos que ela está melhor e que já pode acordar, vamos parar de dar o sedativo.
- E isso vai demorar muito?
- Vamos ver, se ela reagir bem aos medicamentos, eu vou pode acordá-la.
- Ela vai acordar bem, não é? – Só eu perguntava, acho que todos queriam saber as mesmas coisas.
- Vamos ver.
- Vão ver? – Falei alto e minha mãe segurou em minha mão.
- É, não sabemos. Bom...É só isso, qualquer coisa eu volto até aqui, tenho que ir ver os outros pacientes.
Ele se foi, antes mesmo que respondêssemos. Fiquei o resto do dia ali e a noite, conseguiram me convenser de ir para casa, tomar um banho e comer algo, para depois voltar, os pais de Juliana ainda ficariam por lá.
Capítulo 174
{...}
Cada dia que passava estava mais próximo da Jéssica, ela era legal e vivia me dando colo quando eu estava mal, sabia que não deveria me aproximar tanto dela, por ela gostar de mim, mas eu não conseguia, ela era legal demais. Começamos a ficar e ela estava se saindo muito carinhosa, me compreendia e fazia tudo que eu gostava, minha mãe não estava gostando muito, mas só falou aquilo comigo uma vez, depois disse que não iria se meter mais na minha vida, que eu já estava bem grande para saber o que fazer. Arthur também não gostou nada, quando me viu beijando ela, não tinha o visto atrás de mim. Depois disso ele ficou diferente comigo, não queria mais ir passar o dia comigo, ao contrário de sua irmão, que adorava e até gostava um pouco de Jéssica, mais ainda era muito pequena. E quando Arthur ia para lá, tentava ao máximo me ignorar, e principalmente à Jéssica, que se esforçava para manter uma relação boa com eles, pelo menos era o que aparentava. Quando Juliana ia os buscar, também me olhava esquisito, não sabia decifrar seu olhar, não tinha mais ódio e nem desprezo, mas tinha mágoa e dúvida, não sabia direito. Minha mãe me disse que Arthur havia falado para ela, que tinha me visto com Jéssica e ela me deu uma bronca, dizendo para mim não beijá-la, na frente dos meus filhos, mas não foi por mal. Então me toquei, que ele podia ter dito também a sua mãe, que tinha me visto beijar a Jéssica. Me xinguei mentalmente por aquilo e me joguei na cama bufando.
As crianças tinha ido passear com os pais de Juliana, que estavam passando a semana com ela e todos da minha casa também tinham saído, menos Jéssica. Tive a idéia de chamá-la para almoçar em um restaurante e ela aceitou, e subiu para seu quarto. Peguei meu celular e entrei na minha rede social, pensei, pensei e vi que já era a hora de anunciar, que eu não estava mais com Juliana.
“Amores, não estou mais casado com Juliana, nos separamos!”
Postei apenas aquilo e saí, não queria ver as críticas de sites de fofocas e nem ficar relembrando aquilo tudo de novo. Meu celular tocou e minha assessora me ligava, me deu uma bronca por ter postado aquilo, sem a comunicar e eu fiquei estressado, tive que respirar fundo para não falar besteira com ela. Escutei tudo que tinha para falar :
- Acabou? – Já estava sem paciência.
- Acabei, mas se prepara que a mídia vai cair em cima.
- Pra falar a verdade, eu estou pouco me lixando! – Desliguei o celular e bufei. Corri para o meu quarto e tomei um banho rápido, troquei de roupa e arrumei o cabelo. Jéssica bateu na porta e eu abri, dando um selinho nela.
- Vamos?
- Vamos...Está lindo, você. – Ela me olhava.
- (risos) Você que está. – Descemos as escadas de mãos dadas e meus pais já estavam na sala, com Bruna. Os avisamos que iríamos sair e fomos para o meu carro. Passamos em um restaurante que Jéssica falou que gostava de ir, mas estava muito lotado, resolvemos ir procurar por outro.
Ficamos rodando mais de meia hora, a procura de um restaurante, mas apesar de tarde, estavam muito cheios.
- Meu Deus, não tem um restaurante. – Encostei a cabeça no volante, depois de ver que o quinto restaurante que íamos, estava cheio.
- Calma, amor. – Jéssica passou as mãos pela minhas costas. Nunca havia me chamado assim, estranhei um pouco mas gostei, acho que gostei. – Vamos procurar outro. – Sorri para ela, levantei minha cabeça e selei nossos lábios, antes de ligar o carro e continuar a procurar. Então lembrei do restaurante que sempre ia com Juliana, era o único que lembrava o caminho, por mais que me doesse eu resolvi ir lá mesmo. Por incrível que pareça estava mais vazio que os outros, Jéssica sorriu animada e pareceu gostar, encarei um pouco a entrada. Era o restaurante que Juliana mais gostava, sempre me pedia para levá-la lá e eu também adorava aquele lugar. Nos sentamos em uma mesa que estava para o lado de fora, o movimento era pouco ali, logo fizemos o nosso pedido.
- Aqui é bom, tem pouco movimento na rua também. – Jéssica olhava para os lados sorrindo, enquanto sua mão acariciava a minha em cima da mesa, fiquei as encarando por um tempo. Saí dos pensamentos, quando ouvi um barulho horrível, que fez todos de dentro do restaurante se levantarem, para verem o que era aquilo. Um carro estava capotado no meio da rua, arregalei os olhos assim como todos que estavam ali, fixei meus olhos no carro e logo depois na placa. Pisquei várias vezes, não, aquele não podia ser o carro da Juliana.
- Não pode ser. – Pensei alto demais.
- O que foi, amor? – Jéssica me olhou.
- Hãn...Esse carro, é o da Ju-juliana.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Capítulo 173
Conforme os dias iam se passando mais acabado eu ia ficando, via que Juliana já estava ficando melhor, pelo menos era o que aparentava. Saia com as amigas e com os nossos filhos, quase sempre, me evitava o máximo que podia também. No aniversário de três anos de Helena, eu fui buscá-la para passar um dia comigo, já que tinha alguns que eu não a via, por estar trabalhando. A empregada nova, que agora limpava a casa, disse que Juliana havia saído com os dois e falou algo relacionado ao parque que tinha no condomínio, agradeci a ela e fui a procura deles. Desci do carro, quando vi Arthur brincando com sua irmã de longe, me aproximei mais e meu sorriso se desfez, quando vi Juliana sentada em um banco com um homem, eles riam e conversavam.
- Juliana. – Já estava atrás deles, ela se virou e seu sorriso também se desfez.
- O que foi?
- Vim pegar meus filhos.
- Hãn...Como assim? Eles estão brincando.
- Eles brincam na minha casa. – Falava sério, Juliana ficou em silêncio por um tempo e me fuzilou com os olhos.
- Tudo bem. – Ela respirou fundo, se levantou e fui os chamar. Fiquei encarando de braços cruzados, aquele homem que estava na minha frente, ele ficou sem graça e se arrumou no banco, voltando a olhar para frente. Peguei meus filhos e os levei para minha casa, minha mãe fez um bolo para Helena, e vários docinhos, ela estava adorando tudo, Juliana não quis festa para ela, dizia ela que já estava cheia de festas e eu também sabia que o clima em que estávamos, não estava ajudando nenhum pouco.
- Mãe! – Deixei as crianças na cozinha, com Bruna e meu pai e fui atrás da minha mãe, que havia ido pegar o presente da minha filha.
- O que, filho ?
- Você ainda está com o papel do divórcio?
- Estou, por que?
- Eu vou assiná-lo.
- Vai assinar? – Ela falou espantada.
- Vou. Não é isso que ela quer? Então, até com outro já está.
- Com outro?
- Vi ela conversando com um homem, no parque.
- Pensa bem, meu filho. Você está cego de ciúmes. – Ela me entregou o papel, que estava em cima do móvel da televisão e saiu. Me sentei no sofá e lembrei de todos os momentos felizes, que vivi com Juliana, principalmente de seu sorriso lindo, querendo ou não, eu ainda a amava mais que tudo. Ouvi a voz da Jéssica e de imediato, a cena de Juliana conversando com aquele homem, veio na cabeça, senti muita raiva. - Luan? – Não era alucinação, Jéssica estava ali mesmo. Tirei as mãos do rosto, para olhá-la.
- Jéssica?
- (risos) Oi, voltei.
- Voltou?
- Aham, já fui para o Rio e quando fui para Curitiba, minha mãe disse que estava indo fazer uma viagem e me mandou voltar, já falou com a sua mãe.
- Você não disse para ela, que estava indo lá?
- Não, por isso ela estava de viagem marcada.
- Entendi. – Fiquei a encarando por um tempo, enquanto ela sorria. Respirei fundo e decidi que iria assinar aquilo, Juliana já estava voltando a viver e por que eu não poderia ? Assinei aquilo rápido e fui correndo para cozinha, entregar minha mãe, deixando Jéssica sem entender nada.
- Certeza?
- Já está feito. – Falei para minha mãe ir logo entregar aquilo para ela.
Passei o dia conversando com a Jéssica, ela era boa de papo e linda, isso eu já sabia. Fui tomar banho, no banheiro do meu quarto e Jéssica no dela, fui bem rápido e me troquei, saí do quarto e encontrei Jéssica no corredor.
- Juntos. – Ela disse rindo.
- Pois é. – Descemos as escadas rindo, vi minha mãe parada na escada com alguém. Me aproximei mais um pouco e vi Juliana, que me encarou, minha mãe entregava para ela o papel do divórcio. As crianças correram para perto dela e ela os chamou para irem embora, dei um beijo neles e se foram.
Capítulo 172
A semana se passou rápido e do mesmo jeito de sempre, as piores semanas da minha vida. Voltei a fazer meu show e até meus fãs percebiam o quanto eu estava pra baixo, mais eu não falava e nem demonstrava nada, perguntavam sobre Juliana e eu respondia normal. Voltei para casa um dia antes do aniversário do Arthur, ele e sua irmã estavam na minha casa, enquanto Juliana, Bruna e Maísa arrumavam o salão que seria a festa, junto com os organizadores. Meus pais saíram também, para comprar algo e eu fiquei em casa com eles.
- Vai sair hoje? – Desviei meu olhar da tv e me virei para Jéssica.
- Pensei que já tinha ido embora.
- Nossa! – Ela se sentou ao meu lado.
- (risos) Desculpa, eu pensei mesmo.
- Tudo bem. Eu vou essa semana.
- Pra Campo Grande?
- Também, vou pra Curitiba e depois para o Rio.
- Ata, vai fazer uma tour pelo Brasil ? – Perguntei rindo.
- (risos) Mais ou menos isso. Mas em, vai sair hoje?
- Hã...Vou sim, é aniversário do Arthur e a festa vai ser às cinco horas.
- Sério? E quanto anos esse lindo faz? – Ela olhou para Arthur sorrindo, ele a ignorou e olhou para frente.
- Seis anos.
- Olha, já está virando um homem. – Arthur a encarou novamente e não falou nada.
- Você vai?
- Hã...No aniversário?
- É. – Ri.
- Não fui convidada. – Ela sorriu.
- Estou te convidando, ué. Vai?
- Não, pai. – Arthur se levantou e me olhou, não entendi sua reação.
- Não o que?
- Não quero ela no meu aniversário, não gosto dela. – Arregalei os olhos.
- Arthur! Cadê a educação que eu te dei?
- Eu falo a verdade. – Olhei para Jéssica sem jeito e vi que ela me olhava do mesmo modo.
- Tudo bem, Luan. Criança é assim mesmo, as vezes ele não foi com a minha cara mesmo. – Ela tentou ri no final.
- Não pode ser assim, tem que ter educação. – Me virei para Arthur. – Se não fosse seu aniversário, eu te colocaria de castigo.
- Nem ligo. – Ele deu de ombros e voltou a se sentar. Fiquei espantado com ele, era um pouco levado mas nunca tinha me respondido daquela forma. Jéssica sussurrou um “deixa” e colocou a mão em meu ombro. Quando deu a hora, tomei um banho primeiro e depois dei um nas crianças e os arrumei. Ninguém tinha chegado ainda, desci as escadas com eles e Bruna abria a porta.
- Que demora!
- (risos) Atrasamos, vou voar para o banheiro. – Ela subiu as escadas correndo. Meus pais estavam descendo e eu nem tinha os visto chegar.
O aniversário foi bom, Juliana tentava o máximo não se sentar, pois seu lugar era ao meu lado, então sempre dava um jeito ou uma desculpa, para se levantar dali. Estava bom, mais não como nos outros anos e o que mais me doía, era ver o olhar de desprezo que tinha em Juliana, não tinha coisa pior no mundo. Fomos para trás da mesa do bolo com as crianças e eu peguei Arthur em meu colo, Juliana estava com Helena, cantamos e sorrimos, como se tudo estivesse perfeito, mas só nós sabíamos o quanto estava tudo péssimo. Voltamos para casa já era noite e as crianças quiseram dormir comigo, Juliana não questionou e já logo deu um “boa noite” para todos, a vi andando para longe e quase chorei ali mesmo, na frente dos meus filhos.
{...}
Os dias foram se passando daquela forma e confesso, que não estava mais agüentando aquilo tudo. Estava em casa deitado no sofá, sozinho, no dia anterior vi Juliana sair para uma balada com sua amiga e quase implorei para que não fosse. Escutei a porta se abrir e olhei para trás.
- Me desculpa, estava aberta. – Ela falava querendo voltar para trás.
- Espera! – Me levantei rápido e Juliana se virou novamente para mim.
- O que foi?
- Ju... – Me aproximei mais dela e via em seus olhos, que sua vontade era sair dali correndo.- Eu sei que errei, você também, todos sabem. Mais eu estou sofrendo, não agüento nem mais viajar, para ser sincero, se você queria me deixar mal e me dar uma lição, conseguiu. Agora volta pra mim?- As lágrimas já caiam e eu coloquei na cabeça, que se ela me pedisse para me ajoelhar em seus pés, eu faria.
- Claro que você errou e todos sabem, eu queria te deixar mal? Tem certeza, Luan? Não foi eu quem fez aquilo tudo.
- Me desculpa, por favor.
- Eu posso até te desculpar, apenas pelos meus filhos, só por eles. Mas voltar com você...Não mesmo.
- Ju, por favor. Eu juro que...
- Não jure nada, eu não gosto de promessas que são mal cumpridas.
- Eu vou me esforçar, juro!
- Estou decidida, Luan. Vai ser melhor para nós.
- E para os nossos filho? Você não pensa neles? Como vão ficar sem pai, indo e voltando de uma casa para outra?
- Não fala dos meus filhos, eu amo eles mais que tudo. E eu não posso fazer isso, nem por eles. As casas são quase vizinhas e não tem problema algum.
- O Arthur já está percebendo.
- E é pra perceber mesmo.
- Você quer colocar ele contra mim, é isso?
- Claro que não, para de falar besteira. Apesar de tudo que você me fez, eu nunca colocaria seus filhos contra você. E...Já que estou aqui e você também. – Ela mexeu em sua bolsa e tirou um papel lá de dentro, estendeu sua mão.
- O que é isso? – Limpei meu rosto coberto pelas lágrimas e peguei o papel de sua mão.- Hãn...Eu não vou assinar isso, Juliana. Eu não vou me separar de você!
- Por favor, Luan. É melhor para nós.
- O melhor pra mim, é ficar com você.
- Você vai ver que não, assina.
- NÃO! – Eu gritei e vi a porta se abrir.
- Luan, Juliana?
- Mãe. – Falei baixo, mais eu queria era chorar mesmo.
- O que foi?
- Juliana quer que eu assine essa merda de divórcio, mais eu não vou! – Joguei o maldito papel no chão e subi as escadas correndo.
- Da um tempo para ele, querida. – Ouvir minha mãe dizer. Chorei o dia tudo no quarto e não teve mãe, que me tirasse de lá, ou me fizesse abrir aquela porta.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Capítulo 171
*
Saí da nossa casa com raiva, ódio. Sabia que estava errado, mas as palavras de Juliana e o que ela fez, me fizeram sentir aquilo por ela, naquele momento. Cheguei em casa e todos estavam na sala, não falei nada e subi as escadas correndo, ouvi minha mãe e meu pai me gritarem. Tomei um banho gelado e troquei de roupa, bateram com força na porta do meu quarto e eu fui obrigado a abrir.
- O que houve, meu filho? – Minha mãe me olhava preocupada. – Que mochila é essa?
- Acabou, mãe. – Não agüentei e deixei que as lágrimas caíssem.
- O que acabou, Luan? – Ela já me abraçava forte.
- Eu e a Juliana. Acabou tudo, entre nós.
- Por que ? – Ela se separou de mim, me fazendo olhá-la.
- Eu saí com a Jéssica e...Confesso que estava pensando em trair a Juliana. – Limpei meu rosto.- Ela nos viu por um acaso em uma padaria aqui perto e me perguntou o que aconteceu, não consegui mentir e disse tudo que estava pensando em fazer. – Disparei e voltei a chorar.
- Meu filho, por que isso ? Você não era feliz com a Juliana?
- Muito, mãe! Eu amo a Juliana, não sei o que me deu.
- Não deveria ter feito isso. – Ela me olhava com os olhos me repreendendo.
- Eu sei, mãe...Me desculpe.
- Peça isso à ela.
- Eu já pedi, acho que dessa vez não tem mais jeito.
- O que você foi fazer, meu filho? – Ela voltou a me abraçar. – E a Jéssica? Da família, sabe que é casado. Vou ter uma conversa cm ela.
- A culpa foi minha.
- Ela também tem uma parcela. – Minha mãe me sentou na cama e beijou minha testa. Saiu do quarto e eu coloquei minhas mãos no rosto, na tentativa em vão de me acalmar um pouco. Desci as escadas ainda com o rosto vermelho, ouvi a voz da minha mãe e diminui meus passos.
- E agora, Jéssica? Luan está quase se parando. – A ouvir dizer e quando cheguei na sala, Jéssica estava de cabeça baixa, enquanto minha mãe falava. Bruna e meu pai apenas observavam. Ela levantou sua cabeça e seu olhar se encontrou com o meu, respirei pesado.
- Me desculpa, Luan. Eu não deveria ter saído com você, sabendo que é casado. Mas eu...Gosto muito de você. – Me surpreendi com suas palavras, assim como todos que estavam naquela sala.
- Oi?
- É isso mesmo, eu...Te amo.
- Ta louca, Jéssica?
- Não estou, só nunca tive a coragem de dizer. Voltei com a intenção de te conquistar, mesmo estando casado. – Ela abaixou novamente sua cabeça.
- Deveria ter me contado isso antes...
- E não ter a oportunidade, nem de sair com você? Não!
- E-eu...Não sei o que faço.
- Só quero que me desculpe.
- Claro que sim, a maior culpa é minha. – Abracei ela, vi que chorava um pouco.
- É minha também, se eu não tivesse aceitado...
- Shiu, não fala nada. – Me separei um pouco dela e a encarei. Minha mãe me tirou do transe, nos chamando para almoçar. Jéssica pediu desculpas mais uma vez e tentamos, comer de uma forma descontraída.
{...}
Acordei no outro dia escutando a voz da Juliana, esfreguei o rosto pensando que estava tendo uma alucinação, quando percebi que aquilo era verdade, me levantei rápido. Cheguei na sala e Juliana olhou para trás, me olhando, com um olhar de desprezo, mágoa e raiva, que acabou comigo por dentro.
- Juliana...
- Não tenho nada para falar com você. Vim deixar as crianças aqui, porque vou sair. – Ela me cortou logo de cara.
- O pessoal já foi embora?
- Já. – Ela pegou sua bolsa e deu um beijo em cada um dos meus filhos.
- Vai...Pra onde? – Perguntei com receio, passei as mãos pela nuca.
- No meu advogado. Vou pedir a entrada do divórcio.
- O que? – Quase gritei, não acreditando no que ouvia.
Juliana me olhou por um tempo, vi seus olhos brilharem e quase que uma lágrima escapa. Abaixou a cabeça e quando levantou novamente, viu Jéssica passando para cozinha, vi o ódio voltar em seu olhar.
- Vou pedir o divórcio, está surdo? – Ela me respondeu grossa e se foi. Fiquei parado por um tempo olhando para a porta que ela tinha saído, minha mãe me chamou e apontou para as crianças que me olhavam, suspirei alto e fui até eles.
Almoçamos e eu fazia de tudo para que meus filhos não perceberem o clima, assim como meu pai. Vi que Arthur olhava de mim para Jéssica, de uma forma estranha. Depois do almoço, Bruna subiu para o quarto com Helena e Jéssica saiu, meu pais foram para o quarto deles. Fui para a área da piscina e vi de longe Arthur sentado na borda dela, me aproximei.
- Ei, filho ... – Falei enquanto me sentava. Ele não me respondeu. – O que foi ?
- Por que você foi embora? – Ele me olhou pela primeira vez e eu me surpreendi com sua pergunta.
- Então é assim...O papai e a mamãe, não vão morar mais juntos.
- Disso eu sabia, ouvi minha mãe dizer.
- Ouviu?
- Uhum, mais eu queria saber porque.
- Um dia você vai saber, ainda é muito pequeno.
- Mais eu entendo ...
- Você acha que entende. Que tal um creme de abacate? – Saí do assunto e ele sorriu de lado. Nos levantamos e fomos até a cozinha preparar. Subimos para o quarto de Bruna depois, e comemos junto com minha irmã e minha filha.
Capítulo 170
- Já falei pra parar de gritar comigo.
- Admite, se você é homem então.
- Eu não vou admitir nada !
- Você estava saindo esse tempo todo com ela, não é ? Como eu fui burra meu Deus e ainda me culpei no dia do meu aniversário, aquilo foi só um pretesto pra me fazer mais ainda de idiota. – Disparei a falar, enquanto andava para todos os lados, já tinha permitido que as lágrimas caíssem.
- A gente conversa depois. – Ele já ia sair.
- Eu já disse que não admito isso.
- O que você quer que eu faço? Quer saber? – Ele se virou para mim, estressado e com raiva.- Eu não te traí, mais estava sim com a intenção.
- Você é um cretino, se não me queria era só falar.
- O pior é que eu ainda te quero, mas já estava enjoado com a rotina de sempre. No começo era ótimo e eu amava, nunca achei tão fácil ter uma família. Mas agora...
- NÃO TERMINA ! – Gritei. – Seu estúpido, se não queria uma família era só falar, se não me queria era só falar.
- Eu já disse que não é isso, só não estou acostumado com isso. Me casei muito novo e...
- (risos) A gente é casado a quase cinco anos, não cinco meses, mas cinco ANOS!
- Me desculpa ? – Seus olhos começavam a brilhar, mais que o normal.
- Eu odeio você. – Eu falei baixo e pausadamente, com nojo, cada sílaba.
- Não fala assim. – Ele se aproximou.
- Fica longe de mim.
- Vamos conver...
- Não quero mais NADA com você. – Luan insistia em se aproximar. - Eu já disse, some da minha vida ! – Estava com raiva.
- É isso que você quer? É isso mesmo ? Porque eu vou embora, mas nunca mais. Ouviu ? NUNCA mais eu volto. – Ele segurou meus braços.
- Então pode ir, porque agora eu que não te quero mais.
- Ótimo!
- Ótimo mesmo seu cretino, eu faço tudo por você e assim que me retribui ? Eu quero você longe da minha vida. – Peguei uma mochila dele e comecei a colocar algumas coisas suas. Luan me olhava sem reação. – Some ! – Joguei a mochila em cima dele, ela caiu no chão e ele deu um passo para trás.
- Você está falando sério?
- Nunca falei tão sério em toda minha vida.
- Me escuta...
- Pega essa mochila e vai embora, depois eu mando o resto das suas coisas. Nem precisa aparecer aqui.
- Juliana...
- Já falei, Luan. – Fiquei o encarando com as mãos na cintura, então peguei sua mochila que ainda continuava no chão, depois de um tempo. Saí do quarto e Luan atrás curioso, para ver o que eu faria. Cheguei no topo da escada e a joguei lá de cima, da grade que fazia tipo uma sacada dentro de casa. Luan franziu a testa, enquanto me olhava sem acreditar no que via. Meus pais me olhavam assustados, Maísa e principalmente Arthur. Que já era maior e entendia tudo perfeitamente bem, ao contrário de sua irmã. Depois que Luan desceu as escadas correndo e pegou sua mochila, que estava no chão da sala. Desci as escadas e fiquei o vendo sair pela porta, vi seu olhar de ódio em cima de mim, pela última vez. Todos ficaram me olhando, querendo saber o que tinha acontecido, olhei para minha mãe que estava sentada no sofá e desabei em seu colo, chorei como criança, enquanto ela acariciava minha cabeça. Maísa trouxe um copo de água com açúcar e eu tomei tudo em apenas um gole, respirei fundo e respondi a pergunta que todos queriam a resposta. Contei tudo a eles, enquanto chorava junto, voltei a me deitar no colo da minha mãe quando terminei e ainda tive que ouvir, as coisas que meu pai me falava.
- Eu te avisei, Juliana, te avisei! E não é de hoje. Agora está ai, com dois filhos pra criar ainda. – Dizia ele e eu não agüentei ouvir aquelas palavras, meu choro aumentou. Vi minha mãe o repreender com o olhar e voltar a me acariciar.
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